Wine Chronicles

4 Seasons = 4 Elements

Nature has its cycles and I believe there are 4 essentials pillars linked from Nature to Wine.

During 2019 we will dedicate various moments to go through each season of the year writing and sharing about each of this 4 essential pillars.

TIME / SEED / SOIL / HUMAN

Through out articles, interviews &  press reviews we will go deeply in each Element seen by different eyes and perspectives! You are more than welcome to Join us and also share with Us !

In English & Portuguese !

2019 – A Importância do TEMPO

2019 acaba de nos entrar pela porta e parece-me a altura ideal para refletir no essencial: Os primeiros resultados do ano de 2018 em algumas vinhas.

Mas antes, importa lembrar os efeitos que um determinado ano (Vintage) tem sobre cada cuvéeque experimentamos. E isto nem sempre é tido em consideração, ou até mesmo pensado, aqui em Portugal. A maioria das vendas ainda é feita a pensar no último vintagevendido, ou então presa ao conceito Vintagerelativo aos Vinhos do Porto.

No entanto, é de extrema importância ter este aspecto em consideração quando compramos vinhos ou procuramos vinhos que gostamos, o tipo de perfil que eles apresentam e o potencial desses mesmos vinhos ao longo do Tempo.

O Tempo não é só um elemento de medida, mas uma componente essencial no vinho, tanto pela duração, como também pelas condições meteorológicas.

 O processo de vinificação está sujeito a vários elementos diferentes, mas diria que estão todos intimamente interligados : 

Os Seres Humanos estão no centro do processo de vinificação, uma vez que o vinho não ocorre por acaso. Há uma ligação dinâmica entre as condições meteorológicas, chamemo-las climatologia do ano, a variedade da uva, o tipo de solo e a exposição solar da vinha.

Tanto o Tempo como o Clima são essenciais para a compreensão e apreciação de qualquer vinho. Isto torna-se por demais evidente quando usamos levedura natural autóctone para fazer a fermentação do mosto. 

Ademais, quando compramos vinhos para nosso deleite, para envelhecer ou para oferecer, o ano é um factor extremamente importante na nossa escolha, já que pode determinar o tipo de vinho que estamos a comprar.

Ter todos estes elementos em consideração pode ser altamente complexo e dissuasivo. É por isso que poderá dar jeito ter os profissionais do vinho por perto, essenciais para guiar e aconselhar quando procuramos algo em particular. Até mesmo as aplicações dos telemóveis de última geração têm estes elementos em conta na informação fornecida ao consumidor.

Aliás, não temos a oportunidade de encontrar isto em muitos sítios do país. As listas de vinho mostram apenas o nome do vinho, o vinhateiro ou o enólogo, mas não o ano. As pessoas já não estão mais cientes da influência do ano, procurando agora o mais recente. Há várias razões por detrás deste facto, mas não é o cerne deste artículo.

Dito isto, podemos então começar por espreitar este ano que passou de 2018.                                                   Dada a particularidade do meu trabalho, acabo por estar sempre a viajar e a visitar diversas vinhas por todo o mundo. 2018 foi um ano impressionante em alguns sectores e, na verdade, não foi o mais fácil em Portugal.

Vou começar por algumas das vinhas que conheço melhor e nas quais pude estar presente várias vezes ao longo de 2018.

Na Borgonha, tendo a sensação que choveu ao longo dos 3 primeiros dias do ano, a verdade é que choveu muito e ainda bem, já que ajudou a aumentar um pouco as temperaturas gélidas do inverno. No início de Abril, houve alguns dias soalheiros que também ajudaram a evitar os danos da geada. Em bom rigor, foi um alívio dadas as enormes perdas sofridas em anos anteriores devido à geada.

Também em Champanhe as condições meteorológicas foram bastante semelhantes, antevendo uma promissora colheita. Foi a certeza de um início de ano bastante clemente e quente. O ano prosseguiu sem grandes aflições e conseguiu chegar a Junho e Julho com uma grande harmonia, com capítulos quentes, mas nada de muito exagerado. O resultado deste ano para a colheita foi simplesmente espetacular.

Com óptimos resultados, a colheita de 2018 foi excelente. As condições meteorológicas em Champanhe e na Borgonha foram praticamente perfeitas, com apenas alguns episódios de chuva, mas nada de alarmante como granizo ou outros incidentes.

Por exemplo, em Vosne-Romanée – onde pude estar presente durante toda a vindima – há muito tempo que não se viam condições favoráveis como as de 2018. Os Pinots estavam maduros, sem a pressão de quaisquer doenças praticamente até ao fim, mesmo tendo sido a colheita precoce (20 de Agosto) em locais mais quentes como Corton, Aloxe e Savigny-les-Beaune.

Alguns Domaines aguentaram longos períodos de colheita que se estenderam por cerca de um mês. Esta colheita aconteceu de norte a sul do país em quantidades incríveis, tendo simultaneamente uma qualidade quase irrepreensível. A selecção das uvas foi praticamente desnecessária. Da minha experiência, isto foi algo nunca antes visto e como dizem os anciãos, é algo visto apenas uma vez na vida.

Olhando para Champanhe, 2018 foi um ano incrível de alegria para todos os vinhateiros que assim puderam reconstruir stockssólidos com vinhos de reserva de alta qualidade. Na realidade, as vinhas estavam muito maduras e algumas partes de Champanhe tiveram mesmo perfis mais quentes, pelo que o ano ficou marcado de uma maneira muito especial.  

Além disso, o resultado até agora tem sido muito positivo. Alguns vinhateiros dizem mesmo ter sido um ano excepcional, tendo em conta a tendência dos últimos anos. A época foi praticamente inócua de defeitos e permitiu-lhes trabalhar as vinhas em óptimas condições.

As casas de Champanhes já comunicaram que este pode ser o primeiro Champanhe Vintage da década. A produção foi surpreendente e aumentou 56% em comparação com 2017.

De maneira a ilustrar este tema em detalhe, veja a entrevista a David Léclapart, vinhateiro de Champanhe e Alejandro Muchada, vinhateiro espanhol de San Lucar de Barrameda. Ambos têm um projecto comum na Andaluzia. Tive a oportunidade de acompanhá-los desde o primeiro ano, em 2017, e pudemos trocar muitas ideias. Ideias que partilharei em breve num futuro artigo.

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